terça-feira, 27 de novembro de 2012


Bem vindo ao fim do mundo.
Um lugar magnífico.
Onde o caos e as sombras dominam. Onde você não consegue respirar, só há poeira, radiação, poluição, e o pior de todos os males: ilusão. O povo cheio de medo, sendo corroído por ele, sentindo o medo e a certeza do fim se espalhando por veias e artérias... O fim dos tempos. Inevitável, assim como é inevitável não mais chorar depois de se conformar. Não é mais preciso. Bem como é impossível. Grande parte daqueles que ainda resistem não têm mais água no corpo. São seres não-vivos. Já passaram à categoria de "coisas". Coisas essas são as que habitam esse planeta rachado. Ele virou uma bomba relógio. Está prestes a, se não explodir antes, ruir. 
Para onde o mundo cairá quando se for? Qual será a cova do mundo? 
Sinto lhe informar... Ela já está cavada. Foi sendo cavada aos poucos. Sabemos que foi. Todos nós. Sabíamos desde que a palavra humano estava por ser criada. As injustiças, a fome, as guerras por motivos tão efêmeros e fúteis quanto a própria existência dessa raça tão dispensável. Agora nós assistimos de longe a destruição que não evitamos, mesmo sabendo que era até evitável a certo ponto, com certa intervenção.
Os considerados "seres evoluídos", categoria essa inválida pois foram eles mesmos que se auto-intitulavam assim, sem pensar em nada superior a eles: apenas mitos, lendas. Os evoluídos criaram lendas para se manter sob controle e, aos poucos, essas lendas passaram a ter tanta vida quanto os próprios criadores delas e se enfureceram. As lendas, os mitos, se revoltaram em seus túmulos de mármore, seja lá se existem, seja lá onde ficam, e geraram o caos. Não as guerras... As guerras eram pela paz...
As bombas, foram o tratado de guerra com os céus. A partir delas, nada do que se sucedeu foi realmente bom e relevante em sua magnitude. A cura do câncer? Das doenças incuráveis, para eles, e de todos os males? Irrelevante. Sabíamos desde o começo que essa raça putrefata não daria certo e não nos traria lucro. Mas, éramos orgulhosos, assim como nossas criações, e não podíamos nos dar ao luxo de admitir nosso ato falho. Sentíamos o peso da consciência junto ao peso do fim, tentamos mandar sinais, pistas, mas eles eram espertos demais para levá-las em conta ou vê-las. Tentamos parar o caos, as guerras, bombas, doenças, corrupção, fome, discórdias, mortes, roubos, assassinatos, poluição, desmatamento, extinção... Tudo que eles consideravam ruim. Tudo que era nossa ameaça. Mas eles não ouviram de maneira alguma. 
Cada dia a menos de vida do planeta, lamentávamos mais e mais por aqueles que guardavam suas esperanças. Cada segundo de dor, tínhamos pena daquelas criaturas. Queríamos uma morte menos dolorosa para eles, e mais rápida também... Mas não podíamos mais interromper ou adiantar e acelerar o processo.


Meu sincero agradecimento àqueles que deram tudo de si por esse projeto falido intitulado, pela própria criação, de "Projeto Terra". Esperamos sinceramente que os próximos projetos sejam estudados antes de serem utilizadas cobaias reais. Pois, apesar de animais e seres indefinidos, por nós, eles são seres de sentimento, possivelmente. A equipe recomenda à todos que se certifiquem de não cometerem os mesmos erros de proporções catastróficas para esse projeto. 
Ou simplesmente não criem novamente uma raça como a, por eles mesmos chamada, "humana".


sexta-feira, 16 de novembro de 2012


Chega à esquina e pára, segurando a mochila com uma das mãos. O tráfego passa roncando: barulhentos ônibus azuis e brancos, táxis amarelos, Volkswagem, um caminhão grande. E apenas um garoto, mas não um garoto qualquer, e vê o homem que o mata pelo canto do olho. É o homem de preto, e não dá para ver o rosto, só a pelerine que rodopia, as mãos estendidas e o sorriso duro, profissional. Cai na rua com os braços esticados, mas sem largar a mochila que contém o lanche extremamente profissional da senhora Greta Shaw. Dá uma breve olhada, através de um pára-brisa polarizado, no rosto horrorizado de um homem de negócios que usa um chapéu azul-escuro com uma peninha vistosa presa na aba. Em algum lugar, um rádio explode com rock-and-roll. Uma senhora idosa no meio-fio oposto dá um grito — ela está usando um chapéu preto com uma rede. Nada há de vistoso naquela rede negra; lembra um véu de acompanhante de enterro. Jake só sente surpresa e experimenta sua habitual sensação de intensa perplexidade — é assim que a coisa termina? Antes de conseguir fazer mais que 270 pontos no boliche? Bate com força no asfalto, vendo um buraco tapado a uns cinco centímetros dos olhos. A mochila é puxada de sua mão. Está se perguntando se esfolou os joelhos quando o carro do homem de negócios, que usa o chapéu azul com a pena vistosa, passa por cima dele. É um grande Cadillac 1976 azul, com pneus Firestone de banda branca. O carro é quase exatamente da mesma cor que o chapéu do homem de negócios. Quebra as costas de Jake, prepara um molho de suas tripas e faz o sangue lhe sair da boca como um jato de alta pressão. Jake vira a cabeça e vê as flamejantes lanternas traseiras do Cadillac e a fumaça brotando embaixo das rodas recém-freadas. O carro também atropelara sua mochila, deixando sobre ela uma larga marca negra de pneus. Vira a cabeça para o outro lado e vê um grande Ford cinzento com os freios cantando a centímetros do seu corpo. Um sujeito negro, que tem um carrinho que vende rosquinhas e refrigerantes, vem correndo em sua direção. O sangue escorre do nariz, orelhas, olhos e ânus de Jake. Seus genitais foram esmagados. Ele se pergunta, irritado, se os joelhos tinham ficado muito esfolados. Acha que pode chegar atrasado à escola. Agora o motorista do Cadillac vem correndo em sua direção, balbuciando alguma coisa. Vinda de algum lugar, uma voz calma, terrível, a voz do juízo final diz:— Sou padre. Me deixem passar. Um Ato de Contrição...Vê a batina preta e experimenta um súbito horror. É ele, o homem de preto. Jake vira a cara com a última de suas forças. Em algum lugar, um rádio está tocando uma música do Kiss, o grupo de rock. Vê sua própria mão se arrastando na calçada, pequena, branca, bem proporcionada. Ele nunca roeu as unhas.Olhando para sua mão, Jake morre.
A Torre negra. (Vol. I) - Stephen King 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Diário de um assassino.

Segurando a afiada extensão de mim mesmo. Me preparo para seguir em frente. Por que faço isso? Bom, isso é um mistério até para mim. Apenas seguir em frente e não olhar para trás. Esse é o meu Lema. Assim como não se arrepender também. Mas... Me arrependo e sempre olho para trás. Mas agora é tarde. Uma vez que se começa, tudo precisa de um fim. E eu encontrarei o meu em breve.
Não sem antes ajudar alguém a encontrar seu fim também.
"Seguir pela escuridão em busca de um alvo fácil..." Mas... isso durou pouco. Foi assim só no começo. Com o sangue quente pulsando em minhas veias veio a vontade louca e incontrolável de mais, mais perigo, mais adrenalina se espalhando pelas artérias, mais... mais...
Queria me deleitar com o sangue daqueles que salvei. Como forma de agradecimento àqueles que me deram esse dom. O dom de salvar as almas dos perdidos na escuridão.
A faca era agora uma extensão de mim.
Fazia parte de minha mão.
Era meu instrumento de salvação.

O Capuz do infinito.

Era inverno.
As ruas estavam quase todas vazias.
Era dia.
Embora claro, não havia Sol.
O vento soprava frio e tirava os chapéus dos seus donos.
Olhava para a praça, na frente de minha casa, e a via como muito mais convidativa. Embora fria, ainda era melhor do que meu apartamento úmido e mofado do inverno. Havia pouca neve sobre seus bancos e brinquedos, de forma que eu poderia muito bem sentar-me lá e ler um livro de forma decente, coisa que não conseguia fazer dentro do ar fechado da minha casa. Estava só. Não havia ninguém em casa comigo. De forma que o silêncio da TV quebrada chegava a ser enlouquecedor.
Não havia motivos para não me agasalhar e ir lá fora um pouco. Abri meu armário e peguei minhas roupas mais quentes. As vesti de forma apressada, levando quase a fazer-me sair de casa com botões errados. Saí sem sequer olhar-me no espelho. Até mesmo porque não encontraria alguém sequer lá fora...
Fechei a porta de meu pequeno apartamento e, com um grosso livro na mão, guardei as chaves no bolso interno do casaco. Desci as escadas de estranha forma monótona, embora estivesse animado por estar saindo de casa, mesmo que sem companhia.
Cruzei a porta e me deparei com o frio grotesco da rua. O vento gelado entrou em meus pulmões até quase arder. Coloquei o capuz de meu casaco sobre a cabeça na tentativa falha de barrar o ar frio. Fechei a porta atrás de mim e atranquei com minha cópia da chave. Olhei na caixa de correios mas ninguém havia se lembrado de minha existência ou sequer mandado um cartão pelo meu aniversário, há uma semana. Acho que até os cobradores esqueceram de minhas dívidas.
Embora tudo estivesse vazio, olhei para os dois lados da rua antes de atravessar. Afinal, nunca se sabe.
Fui em direção a um dos bancos localizados mais para a lateral da praça, onde o vento não atrapalhava tanto, por causa das árvores. Limpei o pouco de neve que havia sobre ele e sentei-me. A luz era propícia, as nuvens encobrindo o Sol deixavam a claridade passar, mas não aquele brilho exagerado dos dias de verão. O que tornava a leitura natural e relaxante.
Me perdi nas páginas do meu livro até que não percebi mais o vento ou qualquer outra coisa ao meu redor. Aquela história era a melhor do que muitos livros elogiados pela crítica. Uma história simples mas extremamente envolvente. Tanto é que me desliguei do mundo pra lê-la. Nem percebi a manhã dar lugar a tarde, não senti fome, sede ou frio.
Nem mesmo uma presença ao meu lado.
Virei-me para me sentir mais confortável e dei um salto no banco vendo uma pessoa de capuz ao meu lado. Só assim dei me conta do frio. Um frio na espinha deixou meu coração incrivelmente acelerado. Ele permaneceu olhando para o livro grosso que segurava, mas não consegui ler do que se tratava, mas ele estava bem no fim.
Me aproximei para ler. Sempre tive grande curiosidade...
Nele estava escrito:
" Virei-me para me sentir mais confortável e dei um salto no banco vendo uma pessoa de capuz ao meu lado. Só assim dei me conta do frio. Um frio na espinha deixou meu coração incrivelmente acelerado. Ele permaneceu olhando para o livro grosso que segurava, mas não consegui ler do que se tratava, mas ele estava bem no fim. - Pensei.
Me aproximei para ler o que estava escrito no livro.
Essa foi a última coisa que fiz... depois de olhar para dentro do capuz daquele que se punha ao meu lado."

Dead End.


domingo, 11 de novembro de 2012

À sua sombra. Esconde-se seus medos.
Encrustado à faca, presa em seus dedos.
A luz vista ao longe, afasta a escuridão.
É seu ponto de esperança, de salvação.