As ruas estavam quase todas vazias.
Era dia.
Embora claro, não havia Sol.
O vento soprava frio e tirava os chapéus dos seus donos.
Olhava para a praça, na frente de minha casa, e a via como muito mais convidativa. Embora fria, ainda era melhor do que meu apartamento úmido e mofado do inverno. Havia pouca neve sobre seus bancos e brinquedos, de forma que eu poderia muito bem sentar-me lá e ler um livro de forma decente, coisa que não conseguia fazer dentro do ar fechado da minha casa. Estava só. Não havia ninguém em casa comigo. De forma que o silêncio da TV quebrada chegava a ser enlouquecedor.
Não havia motivos para não me agasalhar e ir lá fora um pouco. Abri meu armário e peguei minhas roupas mais quentes. As vesti de forma apressada, levando quase a fazer-me sair de casa com botões errados. Saí sem sequer olhar-me no espelho. Até mesmo porque não encontraria alguém sequer lá fora...
Fechei a porta de meu pequeno apartamento e, com um grosso livro na mão, guardei as chaves no bolso interno do casaco. Desci as escadas de estranha forma monótona, embora estivesse animado por estar saindo de casa, mesmo que sem companhia.
Cruzei a porta e me deparei com o frio grotesco da rua. O vento gelado entrou em meus pulmões até quase arder. Coloquei o capuz de meu casaco sobre a cabeça na tentativa falha de barrar o ar frio. Fechei a porta atrás de mim e atranquei com minha cópia da chave. Olhei na caixa de correios mas ninguém havia se lembrado de minha existência ou sequer mandado um cartão pelo meu aniversário, há uma semana. Acho que até os cobradores esqueceram de minhas dívidas.
Embora tudo estivesse vazio, olhei para os dois lados da rua antes de atravessar. Afinal, nunca se sabe.
Fui em direção a um dos bancos localizados mais para a lateral da praça, onde o vento não atrapalhava tanto, por causa das árvores. Limpei o pouco de neve que havia sobre ele e sentei-me. A luz era propícia, as nuvens encobrindo o Sol deixavam a claridade passar, mas não aquele brilho exagerado dos dias de verão. O que tornava a leitura natural e relaxante.
Me perdi nas páginas do meu livro até que não percebi mais o vento ou qualquer outra coisa ao meu redor. Aquela história era a melhor do que muitos livros elogiados pela crítica. Uma história simples mas extremamente envolvente. Tanto é que me desliguei do mundo pra lê-la. Nem percebi a manhã dar lugar a tarde, não senti fome, sede ou frio.
Nem mesmo uma presença ao meu lado.
Virei-me para me sentir mais confortável e dei um salto no banco vendo uma pessoa de capuz ao meu lado. Só assim dei me conta do frio. Um frio na espinha deixou meu coração incrivelmente acelerado. Ele permaneceu olhando para o livro grosso que segurava, mas não consegui ler do que se tratava, mas ele estava bem no fim.
Me aproximei para ler. Sempre tive grande curiosidade...
Nele estava escrito:
" Virei-me para me sentir mais confortável e dei um salto no banco vendo uma pessoa de capuz ao meu lado. Só assim dei me conta do frio. Um frio na espinha deixou meu coração incrivelmente acelerado. Ele permaneceu olhando para o livro grosso que segurava, mas não consegui ler do que se tratava, mas ele estava bem no fim. - Pensei.
Me aproximei para ler o que estava escrito no livro.
Essa foi a última coisa que fiz... depois de olhar para dentro do capuz daquele que se punha ao meu lado."
Dead End.

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