segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Não se aproxime, disse a si mesmo. É alguma coisa ruim. Uma coisa realmente ruim. É como um cão negro uivando para a lua que só aparece de três em três anos, como sangue na pia, como um corvo empoleirado no busto de Palas bem na entrada do quarto. Você não quer se aproximar dele [...]"
Insônia.
Stephen King

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ando me arrastando.
Escorre sangue pelo braço.
Sinto dor respirando.
Não importa o que eu faço.

As luzes estão apagadas.
O que está atrás de mim?
Longe das ruas lotadas.
E dos vendedores de marfim.

Não ouço passos no asfalto.
O clima seco chega a ajudar.
Ouço apenas o meu salto alto.
Deixando minha destreza a desejar.

Ouço agora os esgotos.
Barulhentos, sob a cidade.
Ouço animais absortos.
Sem qualquer finalidade.

Apesar do se não ver.
Sinto sua presença.
E não irias entender.
Não importa o quanto pensa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


O ódio que consome as mentes impuras.
É o que povoa as noites mais escuras.
E, em meio ao calor do momento,
você se vê olhando para o lado, desatento.
E sem saber o porquê, há algo em sua mão.
É sangue, bombeado de seu próprio coração.
E, depois de uma queda brusca,
algo na escuridão, lhe assusta.
Do nada, para o nada.
Corre uma sobra calada.
Ao lado de seu corpo flácido há uma adaga.
E, no fim da linha de sua vida, você indaga:
Meu destino é jazer em uma rua suja?
Sem sequer deixar-me que fuja?
Ao lado de seu corpo você olha,
enquanto, com seu sangue, a rua molha...
Alguém chora ao seu lado.
Com rosto baixo e choro abafado.
Você percebe que sequer é alguém que conhece.
Mas chora, por alguém que perece.
E, enquanto a rua vai ficando mais escura.
Você se dá conta de uma verdade dura.
Não há alguém para lhe acompanhar.
Não há luz a seguir ou mão a segurar.
Apenas escuridão se formando ao seu redor.
Aquela que esteve lá a vida toda, e que já conheces de cor.

domingo, 27 de janeiro de 2013

A MORTE


Festa bonita, festa bacana não é? Olha só quanta gente, a iluminação ta demais e a banda está realmente um show. Não sou da área vip, afinal nem gosto disso, prefiro ficar aqui na frente, junto com o povão, perto do palco, sempre foi o melhor lugar pra mim. Mas de repente, em questão de segundos, começaram a gritar e eu sem entender nada comecei a gritar também, no começo pensei ser apenas um alvoroço de um grupo de amigos ou até mesmo uma briga, mas quando olhei pra cima, vi que tinha fogo, e não parecia fazer parte da apresentação pirotécnica. Quando me dei conta, estava ali sozinha, minhas amigas já não estavam do meu lado, e então toda aquela alegria de antes se transformava em euforia e medo. Naquele momento, toda minha vaidade se perdeu, sem se importar com nada, tirei o salto, perdi minha bolsa, e sai como uma louca em direção à porta que entrei. Mas acontece que era praticamente impossível passar por la, tinha tanta gente, e cada vez mais a fumaça tomava conta do local, tudo tava tão nebulado que resolvi tentar outra saída. Nesse momento já era possível ver pessoas caídas, deviam estar desmaiadas somente, devido a fumaça, era a minha mais ingênua esperança. Corri para um corredor junto com outras pessoas que pensavam o mesmo que eu, tinha que ter uma saída ali, era minha ultima chance, não havia mais o que se fazer. Ainda sem saber aonde estava, escutava gritos ensurdecedores que cada vez chegavam mais perto, mas as chamas não estavam ali, pensei estar segura. Mas aquela sala que antes tinha somente algumas pessoas ficou lotada e a fumaça começou a entrar. Queria sair dali mas não dava, fiz o que sempre fazia quando estava com medo, não ria de mim, mas eu liguei pra minha mãe. Não escutava nada do que ela dizia, mas eu tentava aos berros dizer pra ela vim me ajudar, que me tirasse dali, como se ela fosse uma super-heroína que viesse voando me salvar. Já estava praticamente impossível de enxergar algo e a respiração ficava abafada. Lembro de ter dito EU TE AMO para minha mãe antes de desligar o telefone, se é que cheguei a desliga-lo. Como num passe de mágica, tudo começou a se acalmar, os gritos ficaram mais baixos e inaudíveis  meu corpo já não sentia dor nem medo, fiquei paralisada e apenas fechei os olhos, como se fosse dormir. Acho que nesse momento eu morri, não sei descrever a morte, mas em meio à tanto tormento, ela foi uma calmaria, sei que nem sempre é assim, mas comigo foi. Em um dia aparentemente normal, aonde só queria me divertir, com todos os planos pela frente e com o futuro ao meu alcance, tudo pode acontecer. 

Escrito por Wander Ribeiro.

Meus sinceros sentimentos às vítimas, famílias, amigos, e envolvidos na tragédia em Santa Maria, RS. É certamente uma tragédia, mas sem mérito de culpados agora, isso não vai fazer voltar à vida os mortos na tragédia. Apenas estendamos nossas mãos à essas pessoas que precisam de nós agora. A quem pode fazer algo, por favor faça, mas aqueles que, como eu, não podem fazer apenas não fiquem apontando culpados nem falem coisas repetidamente, isso muitas vezes   piora as dores dos envolvidos ao invés de aliviá-las. Obrigado àqueles que ajudaram e estão ajudando as pessoas de lá.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Aquelas coisas. Estavam por todos os lugares.
O cheiro de carne putrefata pairando por todo o ar. As pessoas mortas atiradas em pilhas enquanto animais carniceiros voavam em círculos por sobre suas ex-cabeças que jaziam, agora, ao lado de seus corpos. O sofrimento das famílias estariam nas lágrimas das pessoas ao redor dos restos de corpos, se as famílias não tivessem sido inteiramente dizimadas... pelas coisas.
Ah... As coisas... Elas eram horríveis. Andando sem controle em busca de comida... Em busca de nós.
Os que não jaziam no chão empoleirados entre outros milhares estavam lá, andando, sem pedaços de seus corpos, com entranhas saindo pelos buracos de seus restos de roupas. Se arrastavam até com suas línguas quando não tinham braços e pernas. Davam um jeito.
E nós... Bom, nos virávamos para sobreviver. Saqueando lojas e revirando casas e lixos, encontrava-se pessoas tentando sobreviver de todas as formas. A humanidade da maioria desapareceu. O individualismo da espécie que se enraizou nas nossas falsas "superioridades" mostrando que até as criaturas mais primitivas e nojentas possíveis, são mais evoluídas do que nós.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A garota dos olhos.
Quem não a visse jamais acreditaria. Quem não tirasse suas próprias conclusões...
Você sequer poderia imaginá-la sem vê-la. É algo quase que incompreensível.
Ao longe, passada a floresta, passadas as montanhas e o extenso vale localizado ao leste de uma pequena cidade... Cada longa árvore de tronco retorcido... Depois de cada uma delas... se encontra uma garota, que foi afastada de tudo. De todos. Uma garota especial.
Várias lendas rondam aquela região, em especial aquela garota...
Mas ninguém se preocupava com a veracidade das informações. Cada morador dizia algo diferente, mas nada era verdade. A usavam. Tiravam proveito do fato de que os moradores da região eram muito inocentes para duvidar de qualquer coisa...
Tinham medo.
Medo do que não conheciam...
A menina dos olhos negros. Ela tinha sede.
Não de sangue...
De medo...


Cada faísca de terror ascendia seu corpo nas noites frias de escuridão. Cada sopro de luz, a alimentava de dor e era essa dor que a fazia querer mais e mais terror... Criar... Mais e mais medo...
Cada um que acreditava na história, era mais uma vela que incendiava. Era mais uma chama em seu incêndio. Ela estava irrealmente viva. Surrealmente se espalhava. Não estava em um só lugar. Estava em vários. Em todos.  
Estava em cada um.
A menina de olhos negros estava infiltrada no coração dos inocentes e dos sem coragem de enfrentá-la.  
A menina dos olhos, se chamava, medo.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Respiração ofegante.
Pronta pro abate.
Sentimento nauseante. 
Antes que infarte. 
Pegue a vítima com coração pulsante.
Hesitante.
Irrelevante.
Encurralados.
Seres imersos.
Pela escuridão: apagados.
Muitos, diversos.
Na escuridão: dispersados.
Dizimados. 
Afrontados.
Problema sem solução.
Com conflitos.
Sem resolução.
Todos aflitos.
Na mão o coração.
Ilusão
Imaginação
São os monstros que assombram nossos sonhos.